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Das verdades e mentiras que se quer contar – 2017

Considero um tanto difícil exprimir o quanto me alegra encontrar pessoas tão jovens se interessando pela leitura, pela escrita e pela Arte, de maneira geral. Porém, certas situações em especial nos impulsionam à expressão – esta é uma delas.

Há alguns meses, convidada pela professora Katia Zilio para ministrar uma Oficina Literária na classe que produziu estes contos, fiquei positivamente surpresa com a atenção que os alunos dedicaram aos singelos ensinamentos desta diletante escritora; mas, sobretudo, me enterneceram os olhares incapazes de desmentir o embrião da Arte se formando através do interesse pela criação, pela imaginação, por uma forma mais humana de ação.

Para mim, a escrita é só isso: uma forma mais humana de ação… ou deveria dizer tudo isso? Por um lado ou pelo outro, a experiência de reproduzir aquilo que se dilata em nossa mente – por meio das emoções e das ponderações – é uma atitude que nos aproxima, de algum modo, do sublime. Como diria Aires, personagem de Machado de Assis, no livro “Memorial de Aires”: “Aqui me tenho outra vez com a pena na mão. Em verdade, dá certo gosto deitar ao papel coisas que querem sair da cabeça, por via da memória ou da reflexão”.

A memória me influencia bastante em relação a tudo o que escrevo. Não aquela memória em sentido estrito, cerebral e científico, mas a memória visceralmente atada às nostalgias e aos desassossegos que trago dentro. Talvez devesse me referir “às memórias”, então: no plural; embora precise confessar que normas gramaticais não sejam suma prioridade quando confrontadas com todos os sentimentos que estão envolvidos no simples – e a um só tempo tão complexo – ato de escrever.

Que me perdoem os positivistas, que me desculpem os gramáticos: mas a Ciência não é tudo, nem a exatidão linguística o é. Por isso, se torna perigoso convidar alguém que aprecia poesia para realizar qualquer trabalho mais objetivo – como a Apresentação de um livro, por exemplo. Uma vez que ele (ou ela) irá invocar os sentimentos sempre.

Assim, a reflexão – aquela referida por Machado de Assis por intermédio do conselheiro Aires –, também recebe lugar de destaque, tanto na interpretação de textos quanto na elaboração destes. Entretanto, se me perguntarem acerca da hierarquia, a resposta será que a emoção e as memórias valem mais do que a reflexão. Que a emoção e as memórias são a própria alma do escritor.

Fujo de rótulos e é sempre com alguma reserva que acolho o título de “cronista” ou o de “poeta”. Penso que todos aqueles que gostam de escrever não podem ser limitados por gêneros literários: são escritores e ponto. Deitam ao papel suas angústias, desesperos, alegrias, desalentos e êxtases: é só isso o que importa. Se o fazem mediante textos poéticos, humorísticos, dramáticos, curtos, longos… será que, de fato, a relevância dos sentimentos do escritor está nisto centrada? Sua dor é menor por escrever um poema, em vez de um romance? Sua perquirição social é maior se escrever crônicas em vez de ficção?

Bem, eu não sei. Lanço a dúvida, pois em questão de certezas um escritor é a pessoa menos indicada. Eu mesma, gosto de me aventurar pelas sensações, mas, acima de tudo, pelos sentimentos que o contraditório ato de escrever me desperta. Contraditório porque, por vezes ele me faz sangrar, em outras, me faz sorrir. Sei bem que o amor pela Arte permeia cada um dos textos que compõem esta obra produzida pelos alunos. Por este motivo, apesar de as regras literárias nos impelirem a atribuir um gênero ao livro, peço que o leitor, assim como eu, também não se limite a rótulos; pois, antes de ser uma coleção de contos, este é um trabalho feito com excelsa dedicação, portanto, um livro de amor.

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